O essencial é estar confiante em Jesus Cristo, em Maria, na Igreja, e continuar trabalhando. Todo o resto não importa

Depois de ter falado do amor dos Assuncionistas por Cristo e Sua Mãe, Pe. d’Alzon falou sobre seu amor pela Igreja, que deveria ser “sobrenatural, ousado e desinteressado”, e aqui ele se tornou muito específico quanto ao motivo da existência de sua  Ordem.  Ele começou assim: “Se alguma vez a luta entre o bem e o mal, a verdade e o erro, Jerusalém e Babilônia, Céu e Inferno, a Igreja e a Revolução, está bem clara, é certamente hoje. Ouça o homem repetir o que Satanás disse, ‘Eu não vou obedecer. Eu vou subir até os céus e serei semelhante ao Altíssimo’ (Is 14,14). O homem vai ao ponto de negar Deus, porque ele acha que Deus é um obstáculo que lhe impõe o jugo da consciência, dever e virtude. A maneira que o homem pode quebrar este jugo é dizer: ‘Deus não existe’. Ante tal blasfêmia, só podemos dizer, com o líder dos exércitos celestiais, ‘Quem é como Deus?’ Satanás, a fim de derrubar a Igreja, está tentando derrubar toda a ordem social. Os cinquenta ou sessenta tronos que caíram durante o último século são o resultado de seus últimos esforços para derrubar o Trono do Vigário de Cristo na terra, porque Satanás é impotente para derrubar o Trono do próprio Jesus Cristo no Céu”.

Encerrando o assunto de seu amor à Igreja, Pe. d’Alzon falou de outra das missões de sua ordem, a educação. Ele a definiu: “A educação é a formação de Jesus Cristo nas almas”. Veremos depois o êxito dos Assuncionistas neste campo. Agora nós queremos ouvir nosso Venerável sobre outro assunto.

O amor pela Santíssima Virgem inspira-nos outro amor que se espalha no mundo por meio do culto à Mãe de Deus. Falo do amor à pureza e à castidade. Desde o início, tem sido um dos traços marcantes de nossos homens apostólicos, e os historiadores da Igreja nos dizem que a causa imediata do martírio de Pedro e Paulo foi o esforço constante destes dois apóstolos para formar virgens na Roma pagã e até mesmo no palácio de Nero.

Pe. d’Alzon disse a seus sacerdotes em 1868: “Que tristeza e desânimo nos causam as ruínas imensas provocadas pelas espadas e tochas de um Átila ou de um Genserico! De alguma forma era Deus que estava varrendo uma sociedade podre, a fim de preparar uma nova. Os bispos da Gália [nome da França, quando era uma província do Império Romano] não se enganaram. Vamos ter a inteligência de nossos antepassados.  Eles acolheram e transformaram a barbárie feudal; deixe-nos então dar as boas-vindas e transformar a barbárie democrática”.

Continuando nesse sentido, nosso Venerável perguntou: “Quem será nosso guia?”. Ele respondeu à sua própria pergunta: “O Papa”. E na resposta, ele também previu que seus Assuncionistas poderiam falhar em algumas empreitadas, como quando o poder temporal terminou e eles seriam expulsos da França, e ele queria preservá-los do desespero naquele momento. Então, ele encontrou esta linguagem: “Pode-se dizer que, desde Filipe o Justo, a política consistiu em uma enorme conspiração contra o papado. Os reis não queriam Papas; hoje ninguém quer reis. Embora o poder seja necessário, ele não precisa ser concentrado nas mãos de um rei ... É evidente que a maré democrática está a aumentar todos os dias, e está à beira de transbordar em uma revolução ... O essencial é estar confiante em Jesus Cristo, em Maria, na Igreja, e continuar trabalhando. Todo o resto não importa”.

(Gary Potter, jornalista e autor, escreve para várias publicações católicas de liderança, com interesse especial na aplicação dos ensinamentos religiosos da igreja aos domínios políticos e sociais.
http://catholicism.org/author/garypotter [entre outros]; tradução e edição de Ehusson Chequer)
Declaração de Metas e Diretrizes para o funcionamento de uma nova comunidade religiosa (cont.)